quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ninguém Sabe dizer W - Exposição de Alê Ferro



De cadeiras luminosas a um porta-vinho feito de prancha de skate, Alê Ferro faz arte com o útil, estilizando móveis antigos e fazendo decoração com sucata. É a nova “arte sustentável” que tem ganhado espaço e grande admiração nas exposições de arte em São Paulo.
Ao passar pela pequena galeria, localizada na Rua Fradique Coutinho, coração da noturna Vila Madalena, penso se tratar de uma dessas lojinhas de excentricidades pelas quais o bairro é famoso. São mais de dez da noite, porém, e a curiosidade no motivo pelo qual ela ainda está aberta me atrai para dentro. A parte da frente é de fato uma lojinha, como essas lojas de suvenires dos museus e galerias. Mas o foco do estabelecimento é, na verdade, a galeria de arte que se encontra atrás da loja, cinco vezes maior que ela, que traz exposições não convencionais de arte urbana. Ao perguntar à moça sentada atrás de um balcão de madeira mais informações sobre o local, descubro que os próprios artistas que ali expõem a sua arte, também dão cursos de criação e arte contemporânea em geral.
Ao passar da loja para a primeira sala da exposição de Alê Ferro, me deparo com um enorme painel, feito de inúmeros bolsos costurados juntos, feitos de calças jeans usadas. Não consigo deixar de pensar como o artefato seria útil no meu quarto, onde eu o usaria para organizar as minhas coisas. Em uma lateral, o banco-cama-sofá de madeira lembra uma prancha de surf. Na parede que o sucede, um quadro feito de fios de lã e estêncil de papel, representa a silhueta de uma bailarina.
A próxima sala é mais escura. Na parede de tijolos jaz uma caixa d’água, daquelas descargas antigas, com uma cordinha que, ao ser puxada, não dá descarga, apenas acende a luz. É como se o convencional se tornasse excitante quando trocamos suas funções. A partir de então se quer saber mais sobre essa sala, onde tudo parece banal, mas se revela extraordinário. Uma frase escrita na parede me parece tentadora: “sente-se”, com uma flecha que aponta para uma poltrona antiga, de couro. Ao sentar-se nela, uma luz se acende logo abaixo, iluminando o chão de ladrilhos. Ao se levantar, porém, a luz se apaga e a mágica desaparece.
É fácil sair da exposição com vontade de redecorar a casa, de fazer o normal parecer mágico e o que é velho se tornar arte. Obviamente, nem todos têm a genialidade e a criatividade necessárias para tal. É possível, porém, se contentar com as obras a venda na lojinha da exposição, ou ao menos ter idéias mais simples a partir delas. É evidente a inspiração que atinge os visitantes, assim como a idéia de que é possível fazer o útil do inútil e que não é necessário comprar móveis caros para ter uma decoração admirável em casa.

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