segunda-feira, 25 de abril de 2011

Congresso fotografar 2011


Interessante a todos aqueles que têm alguma coisa a ver com a fotografia, desde o clique da câmera até a sua impressão e publicação, o Congresso Fotografar 2011 aconteceu no Centro de Exposições Frei Caneca, reunindo profissionais do Brasil e do mundo.
A Feira, sempre cheia de visitantes, trazia uma mostra de produtos e serviços relacionados à fotografia. Durante os três dias de feira, houve palestras, workshops, concursos e sorteios, direcionados aos vários profissionais da área. Visando atrair novos leitores e distribuir brindes com o nome da empresa, a revista FHOX, de fotografia, lançou um concurso para cada dia do congresso, oferecendo prêmios para os dez primeiros lugares.
Os stands da EPSON, Cyancolor, Digigraf, entre outras, mostraram o poder de suas impressoras de alta resolução, com banners e cartazes impressos. Muitos dos stands também abrigaram conversas de negócios e eu imagino que grandes acordos tenham sido fechados na feira. As palestras contaram com a presença de Rafael Maurina, Valéria Carneiro, Carlos Dreher, Jim Garner, entre outros destaques da fotografia. Os temas iam de fotografia de eventos a negócios relacionados à fotografia.
A minha impressão geral da feira e do congresso foi de muito profissionalismo e organização. A interação dos visitantes com os expositores era evidente, havia muito interesse em informar a todos sobre as possibilidades que cada empresa ou estúdio oferecia. Pessoalmente, achei a feira muito bem elaborada, apesar de as palestras serem um pouco caras para quem está começando na área de fotografia. A entrada da feira, entretanto, era gratuita, e ela, por si só, já valeu a visita.

domingo, 24 de abril de 2011

Apresentação de Cultura Chinesa - Universidade de Hubei



A união entre o Brasil e a China tem se tornado cada vez mais forte nos últimos anos. Uma prova disso, são os inúmeros eventos que trazem um pouco da extensa cultura chinesa para o Brasil. A instituição Confúcio, que fica na UNESP Barra-funda em São Paulo, promove muitos desses eventos, e um deles reúne estudantes da universidade de Hubei, na China, para se apresentar no Brasil.
Após uma longa introdução do que seria apresentado naquela noite e os agradecimentos dos diretores da UNESP, da instituição, da universidade de Hubei, entre outros colaboradores, das quais alguns precisaram de tradução simultânea, o show começa. A apresentadora, que fala em português, mas com típico sotaque chinês, convida os alunos brasileiros a cantarem uma música em chinês. Apesar dos aplausos, pude perceber a expressão de apreensão estampada no rosto da platéia. Eles, provavelmente, se perguntavam o mesmo que eu: “será que o show vai ser assim até o final?”
A incrível apresentação da “Dança do Dragão” acabou com essa dúvida. A partir dela, todas as apresentações foram ótimas. Um cantor chinês impressionou a platéia ao se revelar um tenor de um metro e meio. Sua voz grave ecoou pelo salão tanto em chinês quanto em português, ao cantar “Se Essa Rua Fosse Minha”. As apresentações de Wushu, porém, deixaram a desejar, pelo menos para aqueles que já assistiram inúmeros campeonatos de Kung-fu como eu e minha irmã. Entretanto, muitos pareciam impressionados com os saltos acrobáticos dos atletas. As apresentações de Tai chi e dança chinesa impressionaram em sincronia, estética e ritmo. Uma poesia foi escrita em palco, enquanto um músico tocava pipa, instrumento típico chinês.

A “Dança do Leão”, apresentada por último, fechou a noite com “chave de ouro”. A dança típica, muito praticada por atletas de Wushu, rendeu a ida até o anfiteatro. A dança consiste na performance em conjunto de dois atletas, um age como a parte da frente do leão, ou seja, a cabeça e as patas dianteiras, enquanto o outro representa o corpo e as patas traseiras. Com a fantasia tradicional e a coreografia muito bem ensaiada, os artistas fazem o público acreditar na criatura que eles formam. A cabeça do leão, feita de madeira e tecidos, possui diversos mecanismos, inclusive para abrir a boca e piscar os olhos. Dois desses animais carismáticos foram ao palco, e até à platéia, junto com o “domador” que os guia.
As apresentações em geral não deixaram a desejar, mostrando a cultura chinesa em vários aspectos, como a dança, a arte marcial, a poesia e a música. A interação com o público era constante, ora com as perguntas da apresentadora, ora com os artistas servindo chá ou dando a chance para as crianças brincarem com as fantasias. Recomendo a qualquer pessoa que tiver a oportunidade de assistir aos artistas da universidade de Hubei que não perca essa chance de ouro.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ninguém Sabe dizer W - Exposição de Alê Ferro



De cadeiras luminosas a um porta-vinho feito de prancha de skate, Alê Ferro faz arte com o útil, estilizando móveis antigos e fazendo decoração com sucata. É a nova “arte sustentável” que tem ganhado espaço e grande admiração nas exposições de arte em São Paulo.
Ao passar pela pequena galeria, localizada na Rua Fradique Coutinho, coração da noturna Vila Madalena, penso se tratar de uma dessas lojinhas de excentricidades pelas quais o bairro é famoso. São mais de dez da noite, porém, e a curiosidade no motivo pelo qual ela ainda está aberta me atrai para dentro. A parte da frente é de fato uma lojinha, como essas lojas de suvenires dos museus e galerias. Mas o foco do estabelecimento é, na verdade, a galeria de arte que se encontra atrás da loja, cinco vezes maior que ela, que traz exposições não convencionais de arte urbana. Ao perguntar à moça sentada atrás de um balcão de madeira mais informações sobre o local, descubro que os próprios artistas que ali expõem a sua arte, também dão cursos de criação e arte contemporânea em geral.
Ao passar da loja para a primeira sala da exposição de Alê Ferro, me deparo com um enorme painel, feito de inúmeros bolsos costurados juntos, feitos de calças jeans usadas. Não consigo deixar de pensar como o artefato seria útil no meu quarto, onde eu o usaria para organizar as minhas coisas. Em uma lateral, o banco-cama-sofá de madeira lembra uma prancha de surf. Na parede que o sucede, um quadro feito de fios de lã e estêncil de papel, representa a silhueta de uma bailarina.
A próxima sala é mais escura. Na parede de tijolos jaz uma caixa d’água, daquelas descargas antigas, com uma cordinha que, ao ser puxada, não dá descarga, apenas acende a luz. É como se o convencional se tornasse excitante quando trocamos suas funções. A partir de então se quer saber mais sobre essa sala, onde tudo parece banal, mas se revela extraordinário. Uma frase escrita na parede me parece tentadora: “sente-se”, com uma flecha que aponta para uma poltrona antiga, de couro. Ao sentar-se nela, uma luz se acende logo abaixo, iluminando o chão de ladrilhos. Ao se levantar, porém, a luz se apaga e a mágica desaparece.
É fácil sair da exposição com vontade de redecorar a casa, de fazer o normal parecer mágico e o que é velho se tornar arte. Obviamente, nem todos têm a genialidade e a criatividade necessárias para tal. É possível, porém, se contentar com as obras a venda na lojinha da exposição, ou ao menos ter idéias mais simples a partir delas. É evidente a inspiração que atinge os visitantes, assim como a idéia de que é possível fazer o útil do inútil e que não é necessário comprar móveis caros para ter uma decoração admirável em casa.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Cisne Negro - Review


O que passa pela mente da mais recatada, introvertida e inocente dançarina de uma das companhias de balé mais respeitadas dos Estados Unidos? Na tensa atmosfera dos ensaios e preparações para uma famosa peça do balé clássico, o filme Cisne Negro se desenvolve a partir da mente perturbada da jovem bailarina principal da companhia. Dedicada e determinada, Nina se vê sob a pressão de representar não somente o cisne branco, mas também o negro, seu inimigo. Essa situação, em conjunto com sua obsessão pela perfeição, leva a protagonista a enfrentar distúrbios que beiram a esquizofrenia.
Desde paranóia e alucinações a distúrbios de personalidade, Nina vivencia tantos sintomas que o filme é quase uma aula de psiquiatria. Natalie Portman, além de atuar tantos estados de espíritos diferentes e contraditórios, demonstra sua habilidade na dança clássica, demonstrando com perfeição a vida complicada e exaustiva das bailarinas profissionais. Aprecio também o fato de o filme deixar claro desde o começo que os acontecimentos são baseados no ponto de vista deturpado da personagem, evitando o clichê dos filmes de suspense onde o quadro clínico do personagem só é revelado no final.
Em geral gostei muito do filme, Natalie Portman mereceu o Oscar de melhor atriz que lhe foi concedido. Entretanto, se você não é bailarina ou levemente esquizofrênica, é difícil se identificar com a personagem e a realidade em que ela se encontra. Não é um desses filmes na qual podemos imaginar-nos em uma situação parecida e pensar em todas as possíveis soluções e esperar para ver por qual delas o personagem vai optar. O Cisne Negro é um filme para ser observado e apreciado por seu valor artístico e não para ser vivido, seguindo o exemplo da maioria dos filmes recentes.